A Primeira Odisseia- A Ginecologista  Inserido Thursday 10 September 2009 00:30

  Eu e o Miguel decidimos que a primeira coisa a fazer, seria eu ir a uma consulta com a minha ginecologista o mais rapidamente possivel. Depois, se estivesse tudo bem, às quatro semanas contávamos aos nossos melhores amigos, e às dez semanas, aos nossos pais. A palavra aborto nunca foi mencionada por nenhum de nós, e eu posso dizer, sem mentir, que foi uma coisa que nunca me passou pela cabeça. Tanto eu como o Miguel somos muito católicos, andámos os dois em colégios de freiras, por isso a nossa educação nunca me permitiria abortar. Para álem disso, eu já amava aquele bebé mais do que a minha própria vida, já não conseguia imaginar a minha vida sem ele.

  Então, uns dias depois, eu fui à minha ginecologisa. Eu sempre adorei aquela médica, que me acompanha desde os treze anos, é amorosa, super descontraida, e apesar de viver completamente a mil, e de ser um bocado esquecida, eu não consigo imaginar melhor médica para mim.

  Fui à consulta sozinha, o Miguel não se teria importado de vir comigo, mas eu sabia, que por muito presente que ele fosse, quem ia sentir mais aquela situação era eu. Era a minha barriga que ia crescer, era para mim que as pessoas iam olhar, na rua e na escola... Por isso achei melhor começar esta batalha sozinha, embora com a certeza de que podia sempre contar com o Miguel.

  A reacção da ginecologista, não foi a melhor do mundo, nem eu estava à espera que fosse... Mas acho que tinha esperança que ela fosse capaz de ficar um bocadinho feliz por mim... Perguntou-me se estava a pensar abortar, e eu disse que não, e quando ela insistiu na pergunta, eu tive de me controlar para não desatar ali aos berros! Fiz a ecografia, e a doutora disse que o bebé era perfeitamente normal, e já tinha, à volta de quatro semanas. Também disse que para já eu tinha de parar de montar e começar a comer mais, porque era importante eu ter pelo menos 50 quilos. Mandou-me fazer umas análises, e fui-me embora..

  Nesse dia, confrontei-me pela primeira vez com aquele olhar de pena, com que as pessoas iam passar  a olhar para mim. Saì da consulta completamente frustrada...

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Continuação  Inserido Monday 07 September 2009 07:58

Nesse mesmo dia, quando cheguei à escola, comecei logo à procura do Miguel.... Ninguém estranhou muito porque a maior parte dos nossos amigos sabia que faziamos nesse dia cinco meses de namoro, e acharam normal eu querer estar com ele. Mas houve uma amiga minha que percebeu que se passava mais alguma coisa e veio falar comigo, perguntar se se passava alguma coisa. Eu não consegui mentir, disse que sim, passava-se uma coisa, mas tinha que falar com o Miguel primeiro... Assim que o vi entrar pela porta da escola, ainda meio a dormir, com o capacete da mota na mão, corri para ele e abracei-o com toda a força que tinha! Ele percebeu que alguma coisa se passava e seguiu-me até um sítio da escola que nessa altura estava vazio. Oulhou-me nos olhos e disse:

-Parabéns meu amor, tenho um presente para ti...

-Eu também tenho um presente para ti, mas não sei se vais gostar.... - E mostrei- -lhe o teste de gravidez. Ele ficou vinte minutos em silêncio, não o censurei, eu também precisara do meu tempo para digerir a notícia. Então o Miguel teve uma reacção maravilhosa... Puxou-me para ele, pos-me a mão na barriga e disse:        -Vamos ter um bebé, foi o melhor presente de sempre!

E nessa altura eu tive a certeza de que de ali para a frente seríamos nós os três, para o que desse e viesse!

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O princício...  Inserido Monday 07 September 2009 07:43

Olá a todos! Esta é a primeira vez que crio um blogue, e estou muito entusiasmada com a prespectiva de partilhar com outras mães, a minha experiência da maternidade...

Mas primeiro vou contar (resumidamente) a minha história:

Desde que me lembro de existir, que o maior sonho da minha vida é ser mãe... Sempre sonhei com uma casa grande, com imensas crianças a brincar no jardim! E então o meu sonho realizou-se! Naquele dia 22 de outubro, quando olhei para aquele teste de gravidez, nem queria acreditar! Mas no entanto, a minha reacção não foi imediata, meti o teste na mala e fui para a escola, como todos os dias, como se aquele fosse um dia igual aos outros... Só quando cheguei à rua e senti o vento na minha cara é que percebi o que entava a acontecer. Então as lágrimas começaram a deslizar pela minha cara, como se tivessem aberto as comportas de uma barragem. Por estranho que pareça, dada a minha situação, as minhas lágrimas eram de alegria. Tinha dezasseis anos, andava no décimo-primeiro ano, e até aí a minha vida tinha sido só amigos, namorado, escola, equitação, família e pouco mais... E eu sabia que ia ter de abdicar de quase tudo. Mas nada disso interessava, eu ia ser Mãe! -quando percebi isso limpei as lágrimas  e comecei a pensar em questões práticas: a primeira coisa a fazer era contar ao Miguel, e como é que eu ia dizer aos meus pais? Logo eles que esperavam tanto de mim... Eu, a filha mais velha, a mais responsável, com excelentes notas, quase campeã de equitação, ia ser mãe! Eu não estava preocupada comigo, nem com o dinheiro (que nunca foi um problema), nem sequer com o bebé, que eu sabia que ia ser muito amado, eu estava preocupada com todas as pessoas que tinham projectos e sonhos para mim e que agora iam ter de desistir deles... Eu sabia que não ia ser fácil, mas passando a mão pela barriga, eu senti-me cheia, tão cheia que nem eu sabia que havia tanto para encher! E nessa altura tive a certeza que ia conseguir passar por todas as provas. Não estava sozinha. Nunca mais!

  Nunca me esqueci desse dia... Foi o dia em que eu soube que tu existias!

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